Praça São Francisco / São Cristovão-SE

domingo, 4 de setembro de 2011

Núcleos de povoamento e a colonização de Sergipe.

Carro de boi em São Cistóvão/SE. Fonte: (Telecentro IPHAN )
  Definir a verdadeira função dos núcleos de povoamento no processo de colonização de Sergipe, tem sido o interesse de  alguns historiadores que se dedicaram a estudar esse período.
  A historiografia produzida por esses pesquisadores, nos possibilita identificar várias funções desses núcleos, que vão de uma função econômica até a expansão da cristandade.
  De acordo com a historiadora Lilian Salomão, os portugueses empreenderam uma lenta colonização do território sergipano, e esse, funcionava como uma "dobradiça" entre as principais capitanias do norte, Bahia e Pernambuco. A metáfora da "dobradiça" utilizada por essa autora, nos possibilita ver como ela destaca o papel secundário desempenhado por Sergipe até então, sendo reconheçido como território de boas pastagens e pela criação de gado. Para essa autora, os núcleos de povoamento de Sergipe estavam a serviço do campo, possuindo um aparelho adiministrativo que auxiliava na comercialização do açúcar.
  Outros historiadores como o Sergio Buarque de Holanda, Capistriano de Abreu e João Ribeiro, encaram os núcleos de povoamento com a mesma análise economicista, já que não havia uma intensa atividade enconômica nas áreas urbanas, essas eram consideradas como apêndices do engenho, potadoras de um aparelho burocrático do estado,  a serviço dos produtores da cana-de-açúcar.
  Essa visão economicista não se enquadra na colonização de Sergipe, pois o primeiro produto da capitania sergipana foi o gado, no qual era criado nas margens dos rios e distante da zona urbana, por isso sua comercialização não dependia diretamente do aparelho burocrático citadino.
  O historiador Raminelli nos alerta para uma outra visão sob os nucléos de povoamento, segundo ele, não podemos ficar presos a essa visão economicista, tornando-se necessário atentar para o papel importante desempenhado pelos núcleos de povoamento na expansão da cristandade, o que justifica a presença de diversas igrejas de diferentes ordens, e para o estabelecimento de uma ordem moral a fim de combater a anarquia, tal fato fica evidente com a presença das forcas e pelourinhos. Podemos dizer que os núcleos de povoamento, também fucnionavam como uma fortaleza militar, combatendo o invasor e auxiliando na conquista de novos territórios.

Referência Bibliográfica:

SOUSA, Antônio Lindvaldo. Temas de História de Sergipe II. São Cristóvão: Universidade Federal de Sergipe/CESAD, 2010.



 

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