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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Por de trás do discurso modernizador: Aracaju nas primeiras décadas do Século XX

   Com a itensificação do processo de migração para aracaju no século XX, a maioria dessas famílias constituídas por pessoas pobres, deu-se a ocupação das áreas mais longícuas do centro, da região conhecida como quadrado de Pirro. A partir desse processo migratório a polução pobre de Aracaju passou a ocupar a zona norte, formada pelo Bairro Indústrial no qual se localizavam as duas fábricas de tecidos, e a zona noroeste, mais precisamente no bairro Santo Antônio.
   O crescimento irregular da capital sergipana do norte para o sul, foi propício a criação de espaços vazios, favorecendo a especulação imobiliária que encareceu o preço dos aluguéis e  desses lotes mais próximos ao centro.
   Esse crescimento horizontal preocupou os que defendiam o projeto modernizador, pois viram a necessidade de adequar esses bairros ascendentes dentro de um projeto que garantisse a modernidade da capital, a fim de enquará-los em um conjunto de normas higienizadoras de urbanização. Nessa época o Aribé também passou a ser ocupado pelas famílias pobres, algumas tiveram suas casas derrubadas devido a instalação da linha férrea.
(Aracaju nas primeiras décadas do Século XX/ Fonte: Arquivo Público do Estado de Sergipe)

   A integração dessa área pobre ao quadrado de Pirro visava enquadrar essa população dentro de uma ordem estabelicida pela elite, período formado por um contigente de trabalhadores livres despossuídos de bens, vindos em sua esmagadora maioria das áreas rurais. Aracaju era vista como uma oportunidade de emprego.
   Com oferta de mão-de-obra em abundância os donos das fábricas, buscaram fundar vilas operárias a fim de manter um maior controle sobre os operários. A situação dos operários sergipanos nas primérias décadas do século XX não eram nada agradáveis, conviviam com os baixos salários, péssimas condições de saúde, uma alimentação precáraia além de ter que percorrer um difícil trajeto até as fábricas, obrigando-o a sair bem cedo de casa.

Referência Bibliográfica:

SOUSA, Antônio Lindvaldo. “Parte do outro lado da modernização...”: Aracaju e os homens pobres nas primeiras décadas so século XX. Temas de História de Sergipe II. São Cristóvão: UFS, CESAD, 2010.

A construção da identidade Sergipana.

   Marcado por um discurso modernizador que engendrou mudanças em Aracaju, o Século XX também suscitou outras preocupações na elite sergipana, tais como a delimitação do território junto a fronteira de estados vizinhos, Bahia e Alagoas, além dessas questões limitrofes, a elite de Sergipe se preucupou em definir a característica da identidade do sergipano.
   De acordo com Paulo do Walle Sergipe estava em um lento progresso, sendo sua capital formada por um monte de palhas. Tal crítica instigou a elite sergipana, sobretudo Nobre de Lacerda, que procurou rechassar as informações fornecidas por Walle, de acordo com Lacerda em seu artigo publicado no jornal "O Estado de Sergipe" em 24 de Abril de 1813. Nesse embate torna-se perceptível o discurso modernizador modernizador referente a nova capital e o desprezo pelo antigo.
   Segundo Silvério Leite fontes, não podemos pensar a construção da identidade Sergipana, sem associá-la ao complexo de inferioridade presente no sentimento dos sergipanos. Diante dessa afirmativa, Lindvaldo nos alerta que não podemos generalizar essa ideia a todo os segmentos sociais de Sergipe, sendo necessário dar voz as classes que estão a margem desse discurso.
(Fonte:http://www.infonet.com.br/encontros/ler.asp?id=93670&titulo=menina_veneno)

   É importante ressaltar que essa elite buscou construir a identidade de Sergipe pautando-se na figura individuais de grandes homens, nomes como o de Tobias Barreto e Fausto cardoso começaram a ser venerado como um modelo a se seguir, deixando à margem as classes mais pobres.

Referência bibliográfica:


SOUSA, Antônio Lindvaldo. “Um misto de acanhamento e audácia...”: Reflexões em torno da identidade sergipana (1910-1930). Tese de doutorado, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), USP, 2003.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Por uma Aracaju moderna: O discurso modernizador da elite aracajuna no início de século XX

Rua da Aurora (Rio Branco)
(Fonte: http://iaracaju.infonet.com.br/serigysite/ler.asp?id=19&titulo=Aracaju150anos)

   Após a fundação de Aracaju, deu-se por parte da elite aracajuana a propagação de um discurso modernizador, no qual Aracaju passaria por uma gama de mudanças. A nova capital fundada em 1855 deixaria de ser uma cidade atrasada e inviável para novos ares modernos.
   Tal discurso é percepitível a partir de uma análise dos jornais da época, sobretudo o " Correio de Aracaju" e "O Estado de Sergipe". Nesses jornais era corriqueiro notícias de um notável melhoramento nas estruturas da nova capital, de um passado difícil para um futuro promissor conforme os ideais positivistas de "ordem" e "proguesso", Aracaju era vista sob a metáfora de uma "Ave branca que voa dos pântanos para o azul" (O Estado de Sergipe apud SOUSA, 2010, p. 115)
  O jornal "Correio de Aracaju" fazia constantes ressalva sobre a pouca quantidade de recursos a disposição dos governantes, vemos que está implícito a esse discurso uma exaltação a essa classe dirigente, já que mesmo com poucos recursos está conseguindo mudar a face da nova cidade, construíndo praças, aterrando lagos, destruíndo morros, trazendo consigo símbolos dessa nova moderninade como a energia elétrica
e o bonde. Na década de 1920 a criação do Instituto de Química e o Parreira Horta, possibilitou melhorias nas condições de higienização da nova cidade.
   Outro fator que irá contribuir para esse sentimento de modernidade, é a inauguração da Escola Federal de Aprendizes e Artífices em 01 de maio de 1911,  uma data estratégica a fim de incluir nas comemorações uma importante solenidade ao dia do trabalhador.
  Com a vinda de muitas famílias ricas para Aracaju no ano de 1910 é que houve um impulso a essas mudanças, a nova burguesia vai construíndo uma cidade aos seus moldes, valorizando uma cultura mais letrada para os seus filhos. Com a ausência de cursos superiores em Aracaju, grande parte dos filhos dessas elite migravam para outros estados, parte dessa elite não retornava a capital sergipana e aqueles que retornavam buscavam traçar novos rumos para Aracaju imbuidos dos ideiais positivistas.

Referência Bibliográfica.
 
SOUSA, Antônio Lindvaldo. “Ave branca que voa dos Pântanos para o azul...”: As Elites e o Projeto modernizador de Aracaju nas décadas de 1910 a 1930. In: Temas de História de Sergipe II. São Cristóvão: UFS, CESAD, 2010